Efeito Halo e Efeito de Enquadramento: Como Julgamos Sem Perceber
- renatobaldissera

- 14 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Em seu livro Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar, o psicólogo e ganhador do Prêmio Nobel Daniel Kahneman explora como nosso cérebro toma decisões com base em dois sistemas: um rápido, intuitivo e automático, e outro mais lento, deliberado e racional. Um dos conceitos abordados por ele é o efeito halo, que revela como criamos julgamentos amplos a partir de impressões pontuais.
O efeito halo acontece quando uma característica positiva (ou negativa) percebida em alguém influencia a forma como avaliamos outras características dessa mesma pessoa — mesmo que não tenhamos nenhuma informação concreta sobre elas. Por exemplo: ao conhecer um vendedor simpático, bem vestido e com boa oratória, é comum que automaticamente o julguemos também competente, honesto e confiável. No entanto, esses atributos não foram comprovados — nossa mente apenas preencheu as lacunas com base na impressão inicial.
Kahneman explica que temos uma tendência natural de gostar (ou não) de tudo relacionado a alguém com base em um único traço observado. Essa primeira impressão afeta a forma como enxergamos os demais aspectos da pessoa. O resultado é que deixamos de buscar informações mais objetivas ou críticas, pois isso poderia contradizer a história favorável que já criamos mentalmente.
Um exemplo simples ilustra como a ordem das informações influencia a percepção. Compare os dois perfis abaixo:
· Renato: competente, esforçado, estudioso, determinado, vingativo, crítico.
· Paulo: crítico, vingativo, determinado, estudioso, esforçado, competente.
Apesar de conterem exatamente os mesmos traços, a tendência é julgar Renato de forma mais positiva que Paulo. Isso acontece porque as palavras iniciais moldam a emoção com que interpretamos o restante da descrição — uma demonstração clara do efeito halo.
Efeito de Enquadramento: A Forma Como Dizemos Muda Tudo
Outro viés cognitivo discutido por Kahneman é o efeito de enquadramento, que mostra como a forma de apresentar uma informação pode alterar drasticamente a maneira como ela é percebida.
Observe os dois exemplos abaixo:
· “80% dos nossos clientes estão satisfeitos.”
· “20% dos nossos clientes estão insatisfeitos.”
Ambas as frases apresentam os mesmos dados. No entanto, a primeira soa mais positiva e transmite mais segurança. Isso ocorre porque a forma como algo é enquadrado — isto é, apresentado — ativa respostas emocionais diferentes, mesmo que o conteúdo seja idêntico. Esse viés afeta desde decisões de consumo até julgamentos morais e posicionamentos em debates.
Cuidado com as aparências.
Esses dois efeitos — o halo e o enquadramento — mostram como nossos julgamentos podem ser influenciados por fatores que fogem da lógica e da racionalidade. Tomar consciência desses mecanismos, conforme Kahneman nos alerta, é um passo importante para tomar decisões mais críticas, éticas e fundamentadas no dia a dia.
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📚 Referência: KAHNEMAN, Daniel. Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
Autor: Renato Baldissera Economista e estudioso do comportamento humano nas relações de trabalho, gestão e vendas. Criador da Capital Interno
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